Fiat 600: o regresso elétrico sete décadas depois de um ícone que marcou gerações

Entre 1955 e 1982, foram produzidas quase cinco milhões de unidades do modelo — 4.939.642 exemplares — em fábricas da Itália, Chile e Argentina, segundo recorda o jornal ‘ABC’

Automonitor
Outubro 30, 2025
15:11

Durante mais de 70 anos, o Fiat 600 ocupou um lugar especial na história automóvel e no quotidiano de milhões de famílias europeias. Pequeno, acessível e fiável, tornou-se o primeiro automóvel de muitas gerações e um símbolo de mobilidade no pós-guerra. Entre 1955 e 1982, foram produzidas quase cinco milhões de unidades do modelo — 4.939.642 exemplares — em fábricas da Itália, Chile e Argentina, segundo recorda o jornal ‘ABC’.

A sua filosofia simples e prática foi replicada em vários países através de acordos industriais e licenças, dando origem a versões emblemáticas como o Zastava 750, produzido na antiga Jugoslávia, e ao SEAT 600, fabricado em Espanha, que se tornaria um verdadeiro fenómeno social.

No cenário de reconstrução do pós-guerra, o engenheiro Dante Giacosa — também criador do lendário Fiat 500 — concebeu um veículo leve, económico e de fácil manutenção. A sua carroçaria arredondada e a mecânica montada na traseira, com motor, caixa de velocidades e transmissão integrados, reduziram custos e libertaram espaço no interior, tornando o pequeno 600 surpreendentemente funcional.

O interior destacava-se pela simplicidade elegante: bancos amovíveis para piqueniques improvisados, volante de baquelite e um velocímetro central icónico. O porta-bagagens, localizado sob o capô dianteiro, e o espaço adicional sob o banco do passageiro completavam o engenhoso aproveitamento de cada centímetro.

Com uma dianteira arredondada e grelhas verticais de ventilação na traseira, o Fiat 600 apresentou um estilo inconfundível. Equipado com janelas deslizantes e um motor de quatro cilindros e 633 cc — capaz de 21 cv — o modelo foi concebido para uso urbano, mas demonstrou um desempenho notável em estrada.

De acordo com o ‘ABC’, o sucesso do automóvel também se deveu à sua capacidade camaleónica: foi adaptado para uso comercial, convertido em descapotável (600 D) e até transformado no inovador 600 Multipla, entre 1955 e 1960. Este último, com espaço para seis ocupantes em apenas 3,5 metros de comprimento, antecipou o conceito moderno de monovolume.

Do Seicento ao renascimento elétrico

O espírito do 600 renasceu em 1998 com o Fiat Seicento, um citadino de três portas que vendeu mais de 1,1 milhão de unidades até 2004. Agora, o modelo regressa sob a forma do Fiat 600e, um elétrico que combina tradição e tecnologia.

Com 4,17 metros de comprimento e uma autonomia de mais de 400 km em ciclo combinado WLTP (e até 600 km em ambiente urbano), o novo 600 elétrico posiciona-se como uma opção versátil, tanto para a cidade como para escapadelas fora dela. O design exterior homenageia o clássico original, enquanto o interior oferece conforto, espaço e tecnologia de ponta, incluindo assistência ao condutor de Nível 2.

Com atenção ao detalhe, materiais de qualidade e 360 litros de capacidade de bagageira, o Fiat 600e assume-se como o sucessor natural de um ícone. Representa a fusão entre a herança italiana e a mobilidade elétrica moderna, traduzindo o espírito da ‘Dolce Vita’ numa nova era automóvel.

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